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sexta-feira, 22 de junho de 2018

PAULO FREIRE E A LEITURA DE MUNDO - TEXTO DE FREI BETO




    A VIVÊNCIA DO ALUNO, O SEU COTIDIANO É O PONTO DE PARTIDA 



    "Ivo viu a uva", ensinavam os manuais de alfabetização. Mas, o professor Paulo Freire, com seu método de alfabetizar conscientizando, fez adultos e crianças, no Brasil e na Guiné Bissau, na Índia e na Nicarágua, descobrirem que Ivo não viu apenas a uva com os olhos. Viu também com a mente e se perguntou se a uva é natureza ou cultura." ( Frei Beto)

    Impossível não se apaixonar pelo educador e pela educação que ele ajudou a construir. Ao ler este texto vemos a alma de Paulo Freire a nos mostrar todos os caminhos possíveis para que a educação seja bem sucedida. Paulo Freire nos descortina o mundo do ser indivíduo/sujeito que constrói verdadeiramente esse país e todas as outras nações do mundo. Não são os políticos ou os detentores do poder que constroem uma nação, mas sim os seus trabalhadores, os seus estudantes, os que produzem o pão que mata a fome e constroem as estradas que abrem os caminhos. Como pensar em educação fora desse contexto? Como pensar em educação encarcerado em quatro paredes de uma sala de aula, se as mentes que aprendem precisam estar conectadas com o mundo, com a cultura e com o contexto em que vivem no cotidiano? Eu sou mente que aprende no PEAD, sou mente que aprende na minha sala de aula, sou mente que aprende ouvindo o meu aluno falar de seus problemas familiares e ajudá-lo a encontrar as soluções para os seus desafios, sou mente que aprende ao procurar ver os tesouros escondidos nos olhos dos meus alunos. Olhos que trazem a cor das matas e a dor da exclusão nas senzalas do passado. Eu sou mente que aprende, quando finalmente entendo que ensinar é aprender a investigar, aprender a criar, aprender a respeitar as individualidades e que para ENSINAR, no contexto dos grandes educadores é aprender a ler o mundo.



Texto disponível em: https://moodle.ufrgs.br/course/view.php?id=51541
Acessado em 22/6/2018



SOBRE A TEORIA DE HENRI WALLON



    Henri Paul Hyacinthe Wallon nasceu na França e foi uma pessoa muito influente na política , foi psicólogo, médico e filósofo tendo desenvolvido desde jovem seu interesse em estudar os processos de desenvolvimento da criança, principalmente os que se referem as suas etapas de desenvolvimento mental e cognitivo. Para esse autor, assim como para Piaget, a criança  passa por estágios onde desenvolve suas habilidades, porém ele esclarece que essas etapas não tem uma sequência rígida, podendo passar por crises que criam espaços em sua trajetória, não sendo assim muito fixas essas etapas. No estágio impulsivo-emocional que se estende do nascimento até mais ou menos os 12 meses de vida ele considera que a criança não se distingue como ser separado do mundo, mas vai aos poucos interagindo com o meio e que esse meio é o contexto onde essa criança se desenvolve.
    Para GALVÂO (2000) Wallon esclarece que a criança, até os 3 anos de idade, está imersa no ambiente em que vive, dele sofrendo as influências e dele captando as experiências que influenciam em seu desenvolvimento cognitivo, afetivo e social. Antes que a criança aprenda a se comunicar através da linguagem falada, ela se envolve nos jogos de imitação, agindo e interpretando nas suas relações as maneiras de construir sua individualidade. Wallon estabelece que cada fase do desenvolvimento traz consigo seus conflitos, que influenciam no desenvolvimento, através das interações com o outro e que essas fases não se estabelecem em determinados limites ou cronogramas de tempo, tendo cada ser em particular, o seu tempo próprio de elaboração da consciência.  A criança dos três meses de vida até os três anos, para Wallon, está no período denominado sensório- motor e projetivo. A inteligência se divide em inteligência prática, fruto da interação dos objetos com o próprio corpo da criança e inteligência discursiva, adquirida pela criança através da imitação onde ela se apropria da linguagem falada em torno de si. O estágio do personalismo que vai dos três aos seis anos de idade, mais ou menos, é o período onde a criança vai estabelecendo sua individualidade, construindo sua personalidade e a consciência de si mesma, onde tenta afirmar- se opor- se a autoridade do adulto. No estágio categorial, Wallon posiciona a criança com capacidades cognitivas capazes de auxiliar na abstração e na apropriação de conceitos importantes para a aprendizagem. No estágio da adolescência, com início mais ou menos aos onze ou doze anos de idade, a criança sofre as transformações físicas próprias da puberdade e passa por momentos conflituosos como a perda do corpo infantil e as metamorfoses físicas  ocorridas. Nesse período a criança passa então a desenvolver a auto- afirmação e a sexualidade com os conflitos individuais e com o grupo familiar. Para Wallon, os processos de aprendizagem são ininterruptos e sempre o indivíduo passa de um estágio de aprendizagem para outro e assim sucessivamente, lembrando que acomodação e assimilação são processos válidos para uma etapa e ao surgir outra, novamente se iniciam os conflitos.


http://www.blogpsicologos.com.br/psicologia/desenvolvimento-humano/item/98-estagios-do-desenvolvimento-para-henri-wallon

sábado, 8 de julho de 2017

ESCOLA PÚBLICA




                                                            "MOMENTO SOMBRIO"

    Uma expressão que me chamou a atenção no vídeo com a palestra do professor Carlos Roberto Jamil Cury, foi essa que coloquei como título da minha reflexão de hoje. A escola pública está vivendo um momento tenso em razão do momento político em nosso Estado e no País. Não há como não refletir sobre isso quando se fala em Escola Pública. A escola, por ser um espaço onde muitas ideias se cruzam é um espaço de construção de saberes e nossas escolas estão deixando a desejar quando formaram mentes incapazes de preservar o pensamento democrático e a proteção às Políticas  Públicas que visam a formar cidadãos conscientes de seus direitos e cumpridores de seus deveres sociais. A história da educação no Brasil nos traz informações de que muito se lutou pela implantação e agora se luta para preservar suas conquistas. o professor da escola pública é prejudicado porque não se cumpre os projetos e as demandas criadas para melhorar sua condição. Não é bem remunerado e isso o esgota fisicamente e mentalmente pois precisa cumprir muitas horas de trabalho para que possa se manter e manter sua família.Além disso, a realidade precária das escolas que não permitem ao professor um bom desempenho de sua função e os recursos escassos para um bom desempenho propicia ao fracasso de seus alunos e consequentemente ao seu próprio fracasso. Muitas conquistas estão correndo o risco de nem serem implantadas, mesmo após quase vinte anos de sua criação e isso gera uma insegurança muito grande no trabalhador da escola pública.Lançando um olhar para a nossa história percebemos que a educação foi uma conquista que demandou muita luta e nos faz questionar: A quem interessa o seu retrocesso?


https://www.youtube.com/watch?v=n61sFnGI2p4



segunda-feira, 4 de julho de 2016

BRINCAR É IMPORTANTE PORQUE...



BRINCAR É IMPORTANTE PORQUE...
   As nossas mais caras lembranças nos vem da infância. Os momentos de brincadeiras na infância são aqueles que marcarão para sempre nossa memória. Não há quem esqueça das brincadeiras em frente de casa, na rua com os amigos sob os olhares dos adultos que nos cuidavam enquanto conversavam ,em épocas distantes no tempo porém presentes em nossa memória como se fossem hoje.
    Segundo a autora Melinda Wenner, em seu livro Brincar é Coisa Séria (2011) a importância do brincar está ligada a um desenvolvimento saudável da infância e que “incorporar o lúdico ao cotidiano é fundamental para o desenvolvimento social, emocional e cognitivo, tanto de crianças quanto de adultos; além de combater o estresse e contribuir para aumentar a criatividade, diversão faz bem para a saúde do corpo. “ Se é fundamental como podemos abrir mão desse recurso tão importante para a formação de indivíduos saudáveis? A autora refere-se a uma pesquisa desenvolvida por Stuart Brown, psiquiatra e professor da Faculdade de Medicina de Baylor, em Houston, nos Estados Unidos, sobre o incidente com um estudante de Engenharia que fuzilou 46 pessoas no Campus da Universidade. Stuart Brown foi indicado para estudar o caso e concluiu, após entrevistar muitos criminosos, incluindo o estudante, que todos tinham em comum o fato de pertencerem a famílias  de alguma forma violentas e que eram crianças que não tiveram a oportunidade de brinca, em sua infância.
    Todos nós educadores sabemos da importância do brincar e do lúdico, na infância. Sabemos que para construir regras e combinados em equipe o jogo é um excelente recurso. Sabemos que através das brincadeiras livres as crianças constroem e elaboram conceitos essenciais as suas relações familiares e futuras, como adultos. Sabemos que as crianças, durante as brincadeiras, trabalham emoções conflitantes vivenciadas no ambiente familiar e que algumas vezes podem ser observadas pelo professor, fazendo com que este possa auxiliar a criança a passar por essas situações ou até mesmo tomar as providências legais cabíveis. Mas isso ainda não é o mais importante. A importância do brincar vai muito além de tudo isso. Ela pode auxiliar na catarse de emoções conflitantes, na passagem de fases importantes do desenvolvimento infantil e na construção de elementos importantes para auxiliar com o desenvolvimento da sexualidade e para ultrapassar fases egocêntricas, normais no desenvolvimento infantil. Através das brincadeiras livres as crianças têm a oportunidade de vivenciar situações importantes que as ajudarão a tomar decisões no futuro, a construir relacionamentos saudáveis, a lidar com as frustrações naturais da experiência humana.
     As brincadeiras infantis também podem ser aproveitadas para embasar conteúdos, desenvolver importantes áreas motoras do corpo da criança, cerebrais e construir regras sociais.
                                                               “ Certamente, jogos com normas são divertidos e garantem importantes experiências e aprendizados, promovendo, por exemplo, melhores habilidades sociais e coesão de grupos. Mas jogos têm uma regra primordial: organize e obedeça, enquanto brincadeiras livres não tem regras iniciais e, assim permitem mais respostas criativas, afirma o psicólogo educacional Anthony D. Pellegrini, professor e pesquisador da Universidade de Minesota nos Estados Unidos.” (Melinda Wenner- 2011)
    A autora ressalta que, nas brincadeiras livres, as crianças desafiam mais  estruturas cerebrais importantes no desenvolvimento infantil. Ao exercitar a imaginação a criança se torna capaz de desenvolver habilidades que possibilitarão as  tomadas de decisões, a capacidade de lidar com situações novas e desafiadoras, tão importantes na vida adulta em relações profissionais e sociais, até mesmo familiares, quando enfrentando situações estressantes. Proporcionando também uma forma de lidar com seus próprios sentimentos e quando uma criança se recusa a brincar ela pode estar sinalizando situações importantes pelas quais possa estar passando, e os professores que observem atentos as brincadeiras infantis podem ter informações sobre o que essas crianças passam em sua vida cotidiana e familiar.
    Além das brincadeiras livres também é importante trazermos para o cotidiano pedagógico, os jogos e as brincadeiras dirigidas. Temos material riquíssimo em nosso folclore, que pode proporcionar aos alunos momentos de ludicidade e aprendizado com temas importantes retirados da sabedoria popular. Os brinquedos fabricados pelos pais e avós em um tempo onde não existia a Indústria e os jogos eletrônicos podem auxiliar a criança a compreender o passado , integrando gerações. As brincadeiras folclóricas , principalmente as rodas cantadas proporcionam momentos mágicos às crianças e aproximam os filhos dos pais e dos avós, pois essas brincadeiras venceram o tempo e foram vivenciadas por muitas gerações de crianças. As crianças sentem prazer em cantar e vivenciar brincadeiras onde utilizam o corpo e dessa forma desenvolvem, brincando, importantes áreas de seu corpo, como a motricidade e a lateralidade, além de ao cantar as cantigas populares, com sua repetições fazem importantes exercícios que as auxiliarão na apropriação da leitura e da escrita , habilitando para a aquisição da consciência fonológica , tão importante na alfabetizção.
    Os jogos pedagógicos são importantes recursos para o professor pois auxiliam na fixação de conteúdos, na avaliação individual, no diagnóstico de problemas e na construção de combinados da turma. Através dos jogos pedagógicos, nós professores, conseguimos dar aulas de forma prazerosa, saindo da rotina e fixando conteúdos na memória, que de outra forma seriam mais difíceis.
    Para as crianças o brincar é uma forma de trabalhar situações, fixar conceitos, construir regras, superar limitações, exercitar posições e situações de relações futuras. Então a brincadeira, na verdade é um exercício de cidadania, é uma forma de vivenciar na imaginação para atuar na realidade. È através da brincadeira com os colegas que as crianças poderão aprender a ser pro-ativas e estabelecer relações que a ajudarão nas escolhas futuras, nas decisões profissionais, nos conflitos familiares, porque quem exercita a imaginação consegue ter decisões criativas e que abrirão caminhos onde parecia não haver saída.


Referência:
WENNER, Melinda. Brincar é coisa séria. Mente Cérebre. São Paulo: EDIOURO DUETO EDITORIAL Ltda. Ano XVIII, n° 216, jan/2011 (pp: 26-35)